A Central Única das Favelas do DF e o Serviço Social do Comércio celebram hoje, 25 de outubro, a partir das 18h, o sucesso das itinerâncias pelo Distrito Federal e o final do Curso de Produção de Vídeo com a última exibição itinerante do Festival Cine Periferia Criativa deste ano na Escola Classe do Varjão, Quadra 07.
A satélite foi escolhida para celebrar o êxito das itinerâncias que atingiu cerca de 15 mil pessoas pelo DF, gerou visibilidade à cultura periférica cinematográfica, além de proporcionar cultura e lazer as comunidades do Jardim ABC, Recanto das Emas, Ceilândia, Itapoã, Arapoangas, Fercal, Santa Maria e por último o Varjão. E ainda para festejar a produção do vídeo 'Olhos Verdes, Coração Negro' produzido como projeto final do curso ministrado por Adirley Queiróz a jovens de periferias como São Sebastião, Recanto das Emas, entre outros. E por consequência afirmar que quantidade não é qualidade, uma equipe de 5 pessoas (Max Maciel, Cláudia Maciel, Antônio de Pádua, Renata Neves e Roberto Neiva) em parceria com o SESC, organizou todo o projeto, atingiu este público e findou com êxito as duas primeiras etapas do projeto com qualidade.
As exibições do Cine Periferia Criativa foram idealizadas para incentivar a democratização do acesso a exibição destas produções, ignoradas pelo grande mercado e mostrar que é possível expandir a cultura da periferia por meio do cinema transformando os periféricos também em agentes do processo. E o curso foi para dar início a profissionalização da periferia ao mundo cinematográfico.
Várias realidades curiosas foram absorvidas e serão temas de conversas dentro da culminância do Cine Periferia Criativa que será realizado de 07 a 09 de novembro no Teatro Sesc Newton Rossi, no SESC Ceilândia. Evento este, que é considerado do gênero "Terceiro Cinema".
A partir do contexto de "Terceiro Mundo" surge a idéia. E mais que o cinema de Terceiro Mundo, propõe a participação ativa do espectador, trazendo, temas sociais como: violência, miséria, a recuperação da história de povos colonizados e a constituição das nações. Busca narrar o papel do periférico na História e a própria História periférica, colocando assim a parte que geralmente era deixada de lado como o centro das atenções.
É mais uma das formas encontradas pelas periferias em geral para expressar sua visão da realidade do ponto de vista marginal, retratar e se auto-retratar como ator principal e como um ser ativo nas mudanças da sociedade.
Nota-se que no DF há cerca de 90 salas de cinemas, sendo duas (Cine Brasília, na Asa sul e o Cine Itapuã, no Gama), que são de mais fácil acesso a periferia. Não há salas de exibições nas cidades de: Ceilândia, Brazlândia; Samambaia, Recanto das Emas, Sobradinho, Planaltina dentre outras, cidades que juntas, somam mais de 1,5 milhão de habitantes sem cinema ou que possuem dificuldades ao acesso.
Em 11 anos de atuação em áreas menos favorecidas, a Cufa mostra que no Brasil, as comunidades "periféricas", produzem vídeos graças à descentralização de alguns equipamentos digitais. Percebe-se nessas produções, a intenção de mostrar as idéias e as realizações desse olhar periférico. Porém, a falta de locais e espaços para exibir os mesmos, são obstáculos, ainda encontrados.
O mundo já retratou a periferia, agora chegou à vez de descobrir como a periferia retrata o mundo.
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